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ENTREVISTA COM Marc-Pierre Verge (Applied Acoustics -A|A|S)


por Musicamania










Co-fundador e presidente da canadense Applied Acoustics uma das mais inovadoras desenvolvedoras de sintetizadores virtuais do mercado Marc-Pierre Verge tem doutorado em aero-acústica e é vice-diretor do jornal científico Acta Acustica da Associação Européia de Acústica (EAA). Marc nos concedeu esta entrevista para enterdermos melhor o fundamento da criação de seus softwares, a chamada Modelagem Física. Surpreenda-se com as possibilidades ainda não exploradas e a visão de Marc sobre o assunto.



Mus:. A experiência na Europa parece ter sido decisiva para o nascimento da A|A|S, seu alto conhecimento e o de Philippe Dérogis em acústica é incontestável. Quando decidiram fundar a A|A|S e quais eram as expectativas naquele momento?

Marc: Fundamos a A|A|S em 1998. Naquele momento trabalhávamos juntos em laboratórios de acústica em Paris. Nos conhecemos no IRCAM (Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique) onde dividíamos o mesmo laboratório para nossa tese de doutorado. No IRCAM trabalhávamos em sistemas Unix mas logo os PCs se tornaram poderosos o bastante para rodar nosso código o que originou então a idéia de iniciar a empresa, mudamos para Montreal para fundar a A|A|S.


Nossa intenção era desenvolver um sistema modular baseado em modelagem física que deu origem a nosso primeiro software Tassman, o primeiro do tipo de fato. No início nós estávamos mais interessados em desenvolver reproduções de instrumentos acústicos mas logo se tornou evidente que teríamos que desenvolver módulos analógicos.

Surpreendentemente Tassman ficou famoso pela qualidade de sua síntese analógica e a combinação desses módulos analógicos com objetos acústicos abrindo uma nova porta em termos de síntese.


Mus:. A A|A|S cresceu muito nos últimos anos, novos e poderosos sintetizadores como o Ultra-Analog mostram que a genialidade presente na elaboração de seus programas parece sem limites. Como são desenvolvidos os programas da A|A|S e o que é modelagem física?


Marc: Modelagem física refere-se a técnica de síntese sonora baseada em modelos de produção sonora dos instrumentos musicais. A idéia é gerar som reproduzindo a maneira física como estes sons são obtidos.


Um modelo físico é obtido através das leis da física que descrevem como o mundo ao nosso redor se comporta, assim como em outros campos da física um modelo físico nada mais é que um set de equações matemáticas capazes de reproduzir algo que possa ser medido experimentalmente. No caso do piano elétrico por exemplo um modelo físico reproduz o impacto entre o martelo e o garfo, sua vibração e como esta é capturada pelo captador eletromagnético.


Se o modelo for bom será bastante confiável em termos de timbre e também naturalmente reproduzirá o comportamento dinâmico do instrumento. Em nosso exemplo do piano elétrico o som gerado por este modelo dependerá da velocidade do martelo ao tocar o garfo e como está posicionado o captador eletromagnético em relação ao garfo. Também será levado em conta o fato de o garfo estar vibrando ou não no momento da batida do martelo. A idéia aqui é que os modelos físicos podem reproduzir o complexo comportamento de objetos reais levando a recriação sonora de instrumentos com riqueza, naturalidade e resposta aos comandos.


Resumidamente, modelagem física está focada em como os sons são produzidos.Comparando com os métodos tradicionais como o sampler vemos que o foco destes é o som em si e não como obtê-lo. Desenvolver instrumentos baseados em modelagem física dessa forma requer conhecimento dos mecanismos de funcionamento dos instrumentos e o refinamento destes modelos.


Mus:. Os programa da A|A|S são compatíveis com a maioria dos sequenciadores mas como desenvolvedor existe algum que chame mais sua atenção?


Marc: Acho que com o nível que alcançamos com os softwares disponíveis no mercado hoje, entre sequenciadores, efeitos e instrumentos é tão alto que passa ser uma questão de gosto. Não poderia dizer que funcionamos melhor neste ou naquele ambiente, tentamos dar a máxima atenção para todos os formatos de plug-ins e plataformas!



Mus:. Existe algum plano da A|A|S para fabricar hardware?


Marc: Os programas estão trazendo novas possibilidades em termos de síntese e pra mim o mais atraente é participar deste processo. A indústria tem seu foco hoje em reproduzir equipamentos com softwares, ou seja em programas aquilo que só existia em hardware, em equipamento. Isto é uma coisa boa em si mas acredito que a partir de agora veremos realmente ferramentas inovadoras em termos de som e síntese. Instrumentos Virtuais chegaram a qualidade dos equipamentos originais e reais e os músicos esperam isto também para os instrumentos acústicos. Dessa forma modelagem física tornar-se-á cada vez mais importante devido a sua habilidade de reproduzir o comportamento dos objetos na vida real.


Com isto em mente que gostaria de ver a A|A|S desenvolver hardwares pois os controles que os músicos tem sobre os instrumentos não são reproduzidos totalmente muitas vezes por um controlador MIDI. Uma das forças reais da modelagem física é sua resposta ao controle de sinais e melhor ainda poderíamos criar controles especialmente desenhados para tocar diferentes tipos de instrumentos. Um bom exemplo seria criar um controlador com resposta mecânica para acionar o som de uma corda de um instrumento como um violino. O músico sentiria nesse controle uma vibração física correspondente a do músico ao tocar o instrumento. Vemos estes conceitos hoje aparecendo em diferentes campos como vídeo games e isto terá seu espaço na música certamente.



Mus:. Parece que a A|A|S chegou num ponto que parecia intransponível criar som digital com a temperatura do som natural, seu programa Tassman tem flautas maravilhosas. Existe limite para a Modelagem Física? Quais os desafios no momento?


Marc: Sem dúvida, chegamos a um nível de naturalidade em muitos tipos de sons, o desafio agora é estender isto a mais instrumentos. Em modelagem física é necessário desenvolver diferentes modelos para diferentes famílias de instrumentos. Isto é normal pois eles trabalham de forma diferente, agora já possuímos modelos que funcionam extremamente bem para objetos analógicos, teclados e cordas bem como percussões. Precisamos estender isto para outros instrumentos de sopro, metais além das cordas de orquestra.


Algo digno de menção é o fato de o objetivo da modelagem física não é somente reproduzir os instrumentos como realmente são, um dos aspectos mais interessantes é poder inventar instrumentos que não existem na vida real, por exemplo uma guitarra gigante com cordas de 3 metros de extensão ou até cordas que mudam de material enquanto tocadas. Em outras palavras com modelagem física os músicos tem acesso aos diferentes parâmetros físicos dos instrumentos e podem manipulá-los.


Isto resulta em uma ferramenta extremamente criativa que possibilita obter timbres únicos e impossíveis de serem conseguidos por outro método. E mais, por terem sido gerados usando um modelo vivo soam naturalmente e possuem qualidades semelhantes a dos sons reais. Um bom exemplo disto é nosso modelo de cordas para orquestra no String Studio VS1. Obviamente não atingimos o nível de um um instrumentista virtuoso e real mas mesmo um pode criar extraordinárias texturas e sons com nosso objeto. Lounge Lizard reproduz um piano elétrico perfeitamente mas o set de presets inclui timbres impossíveis de obter-se com este piano na vida real!


Não acredito que tenhamos atingido o limite, pelo contrário, estamos vendo apenas o topo do Iceberg, como em outros campos da ciência nosso entendimento de como as coisas funcionam aumenta, métodos de avaliação são melhorados e mais especialização acontece. Além disso o poder dos computadores só aumenta o que dá oportunidade ao uso de modelos cada vez mais sofisticados.



Mus:. A|A|S esteve presente na Musikmesse na Alemanha. Qual foi a resposta obtida e o que he chamou mais atenção no evento?


Marc: MusikMesse foi interessante e movimentada neste ano, apresentamos o novo Lounge Lizard EP3 e nosso pacote Modeling Collection. Sempre temos boa resposta com Lounge Lizard e não foi diferente para a versão 3 que realmente é um belo instrumento. Você poderá dizer que apresentamos quase o mesmo que levamos a NAMM mas estamos desenvolvendo vários projetos e sem dúvida teremos muitas novidades para os próximos eventos.


Visite o site da Applied Acoustics (AAS) - www.applied-acoustics.com


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About Wiliam Damasceno

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